Resident Evil: The Final Chapter, como o seu título indica, é o filme final da saga. Boas notícias, portanto. Bem, supostamente, claro; não seria a primeira vez que uma franchise mudaria de ideias e voltasse para fazer mais uma ou outra incarnação. Ainda assim, vamos rezar para que este seja mesmo o último, porque para vermos mais exemplos de má montagem ou personagens aborrecidas mais vale virarmos os olhos para outra saga qualquer.

Depois de anos a lutar com monstros mutantes e contra a empresa que os libertou para o mundo, Alice (Milla Jovovich) regressa ao sítio de onde foi lançado o T-virus (vírus zombie), para destruir a Umbrella Corporation e salvar a humanidade. Nada de novo, portanto. Mas também não é por isso que o filme é automaticamente mau. Contra tudo e contra todos, ela tem de salvar o dia – é uma plot fácil de seguir. No entanto, o tédio instala-se na sala a partir do momento em que temos noção de que Alice é quase imortal, visto que, com pouco esforço, dá cabo de todos os maus da fita, como se nada fosse, e em troca quase nem uma mazela recebe.

As sequências de ação são tão exageradas mas não no bom sentido, não no lado divertido. No caso de um filme como o Hot Fuzz (2007), uma comédia realizada por Edgar Wright, as cenas de ação são completamente exageradas porque isso está intrinsecamente ligado ao filme, aquilo é a sua linguagem e é assumida desde o início. Este filme, por outro lado, não quer arriscar e não quer assumir um lado, uma faceta. Há uma cena de ação no filme em que a protagonista está encurralada por cinco ou seis personagens que lhe querem fazer a folha. É uma situação tal que, se fosse a vida real, seria impossível ela escapar-se. O problema nem é ela safar-se – é um filme, é óbvio que o protagonista se vai safar sempre -, mas sim a cena demorar tão pouco tempo que nem sentimos sequer algum impacto. Mas isso também tem a ver com outra (má) parte de The Final Chapter.

Um dos maiores problemas com o filme tem a ver com a câmara, ou, melhor dizendo se calhar, com a montagem. The Final Chapter não tem propriamente uma montagem, mas sim um sprint para chegar até à sequência de ação seguinte. Isto porque sempre que existe uma cena de pancadaria, tiroteios, ou uma clássica fuga de zombies e outros monstros que tais, os cortes são tão mas tão rápido que o espetador não tem quase noção nenhuma do que está a acontecer. A quantidade de cortes é ridícula, completamente amadora, e o seu único objetivo é fazer com que o espetador chegue à conclusão que a nossa protagonista é realmente uma badass (como se ninguém soubesse que a Milla Jovovich já o era antes destas montagens preguiçosas).

Com uma hora e quarenta seis minutos de duração, poucas não são as sequências aleatórias de ação. Se Alice, a nossa protagonista, está a conduzir de mota por estradas pós-apocalípticas, é claro que os maus da fita vão aparecer de dentro de bidões espalhados na rua ou a descerem de pontes, auxiliados por cordas mais memoráveis que qualquer uma das restantes personagens. Talvez nos videojogos todos estes pequenos momentos tenham outra tensão e dramatismo, mas aqui é apenas risório.

Pedro Gomes é Editor de Cinema no 8.5Bits | pedrogomes (arroba) 8dot5bits.com