Antes de começar, pode parecer estranho estarmos a incluir numa rubrica dedicada ao retrogaming uma antevisão a um jogo em Acesso Antecipado. No entanto, como mais tarde compreenderão, Dreams está a ser utilizado, entre outras coisas, como uma forma de recriar, que de forma fiel aos originais quer com autênticos remakes, jogos clássicos como Super Mario 64, por exemplo, ou uma espécie de Elder Scrolls reimaginado, como podem ver no vídeo seguinte.

O que é Dreams? A princípio, como podem ver no vídeo seguinte, o jogo é-nos apresentado de forma muito ligeira, introduzindo aos poucos alguns dos elementos que compõem a imensidão que é Dreams: o mais novo projeto da Media Molecule, que nos deu Little Big Planet e Tearaway, e que foi anunciado ainda em 2015, pelo que tem já um tempo de desenvolvimento muito alargado. Little Big Planet ficou conhecido por apelar à criatividade dos jogadores e à criação de conteúdos, mas em Dreams dá-se um passo em frente e podemos criar não apenas níveis para um jogo, mas sim jogos inteiros. E, como vos vamos mostrar daqui em diante, estamos perante algo que pode revolucionar o mundo dos videojogos…

Mas que tipo de jogos? Pois aí reside o grande trunfo de Dreams: todos. Como podem ver em seguida, já estão disponíveis, feitos pela comunidade, FPS, jogos de plataformas, Snooker, shooters espaciais. E não pensem que a sua qualidade é pouca por serem jogos feitos dentro de um jogo: Dreams tem, segundo a opinião de muitos que o experimentaram, quase as mesmas potencialidades que um Unity ou um Unreal Engine 4, excetuando que as nossas criações não podem sair de Dreams, ou seja, não poderemos fazer um jogo e vendê-lo, mas poderemos aprender o suficiente para transpor, mais atrde, as nossas criações em Dreams para um dos motores referidos e, aí sim, tornarmo-nos verdadeiros programadores. Dreams pode ser, no fundo, uma potentíssima ferramenta que nos sirva de porta de entrada para o mundo da criação de conteúdos digitais.

No vídeo seguinte, poderão ver um dos muitíssimos tutoriais que nos ajudam a aprender a construir as nossas próprias criações. Dizemos criações porque Dreams não permite apenas criar jogos: permite criar músicas, desenhos bidimensionais, tridimensionais, sequências em vídeo… Tudo o que compõe um jogo, no fundo. O desenho em si pode ser controlado com recurso aos movimentos do Dualshock 4, mas também com dois comandos PS Move, o que nos dá uma precisão de movimentos muitíssimo boa, o que facilita imenso a passagem do que temos na cabeça para o papel, ou melhor, para o ecrã.

Depois de criadas, as nossas obras de arte podem ser apreciadas em sequências como a seguinte, com alguns exemplos feitos pela própria Media Molecule.

Ao nível do conteúdo, podem imaginar que podemos encontrar em Dreams: tudo. É um jogo com conteúdo virtualmente ilimitado, pois apenas depende das criações dos jogadores para crescer e crescer, e podemos jogar a elas todas. Vemos em seguida reinvenções de Metro e de Cuphead, jogos díspares quer na sua ambientação que no tipo de jogo, mas ambos possíveis de recriar com qualidade. Durante a longa beta de Dreams, houve tributos a tudo o que é jogo de culto: Super Mario, Sonic, Zelda, P.T. de Silent Hills…

A própria Media Molecule quis dar o exemplo e fazer alguns jogos de diferentes géneros, para que pudéssemos ver alguns exemplos: uma espécie de Rocket League, um jogo de naves bidimensional, outro tridimensional, um jogo de plataformas… Nenhum deles é exceptionalmente longo ou elaborado, mas servem o seu propósito: exemplificar.

A Media Molecule promove também competições de criações entre a comunidade. Poderão ver em seguida os vencedores de uma dessas competições, neste caso de desenhos, onde se comprova a qualidade que o motor de Dreams permite alcançar.

Neste último exemplo temos uma curta metragem, completa, realizada por um dos membros da comunidade. Como se pode ver, Dreams serve para criar jogos novos, recriar jogos retro, criar filmes, imagens, sons, tudo o que a criatividade humana quiser.

Poderão adquirir o Acesso Antecipado de Dreams Creator em https://store.playstation.com/pt-pt/product/EP9000-CUSA04301_00-DREAMS0000000000, por 29,99€, mas não sabemos durante quanto mais tempo, pois a Media Molecule anunciou que o número de cópias a vender é limitado. Este Acesso Antecipado será, posteriormente, convertido na versão final do jogo, cujo preço ainda não se sabe mas que será, ao que tudo indica, mais caro que estes trinta euros, mas não podemos ter certezas, pois é a primeira vez que um jogo de PS4 se encontra em Acesso Antecipado, o que diz algo das espectativas que estão a ser criadas em torno de Dreams. O que sim sabemos é que a versão final incluirá também um modo história, no qual seremos obrigados a aprender a manipular as ferramentas criativas, e que haverá suporte para Realidade Virtual. Dreams, no seu estado atual, já é algo de extremamente recomendável; a sua versão final, dependendo do seu estado, poderá operar, como dissemos no início, uma autêntica revolução na forma como os jogadores e os jogos se relacionam. Esperemos que não seja apenas mais um exemplo em que o produto final não cumpre as espectativas criadas, mas pelo que podemos ver na versão de Acesso Antecipado, podemos arriscar a previsão de que Dreams será, com grande probabilidade, um marco na história dos videojogos.

Retrobits é uma rúbrica mensal que tenta recuperar parte da história dos videojogos. Desde grandes sucessos a joias escondidas, tentaremos deixar-vos neste espaço algumas sugestões de jogos perdidos no tempo.

Pedro Moreira é Reviewer no 8.5Bits | twitter @morenho27 | pedromoreira@8dot5bits.com