Videojogos

Retrobits – Como fazer uma máquina de jogos retro

Numa altura em que tanto se fala do retrogaming, que parece estar mais na moda que nunca, surgem propostas como a NES mini, a SNES mini, e a Playstation Classic. Se estas três máquinas proporcionam uma boa experiência aos utilizadores, também é certo que não são reedições do hardware original, mas sim máquinas com processadores ARM, nas quais são emulados os jogos. A emulação de hardware antigo não é nova, e se os programas de emulação são, regra geral, aplicações de código livre, os roms, ou seja, os ficheiros dos jogos, são propriedade intelectual das respetivas editoras. Ou seja, quando adquirimos uma das consolas mencionadas, adquirimos o direito a usar os roms nelas contidos, algo que não temos de forma legal nos emuladores clássicos. No entanto, em teoria, se tiverem os jogos originais terão o direito de usar os roms como cópia de segurança, apesar de isto ser uma área um pouco cinzenta na legislação. É claro que poderão encontrar coleções de roms pela internet, seja em sites de descargas ilegais, torrents, ou mesmo no Internet Archive.

Falando um pouco deste último, podemos ver o quão cinzenta é a questão dos direitos de autor no que toca a videojogos mais antigos e sistemas mais obscuros. Se, por um lado, já sabemos de quem são os direitos de auto, por outro há jogos que nunca foram reeditados e não é possível adquirir em parte alguma. A função de arquivo deste site é, na realidade, o que permite perpetuar no tempo alguns jogos e programas. Não será isso também de louvar? Podem dar uma olhada a https://archive.org/details/internetarcade, que inclusivamente nos deixa jogar através do browser do computador, sem necessidade de descarregar qualquer rom ou programa. No entanto, têm também a opção de descarregar os roms, mas já sabem que só é legal descarregar aqueles que já possuam, e mesmo nessa situação não é 100% certo que o seja. Feita esta introdução, passemos ao que interessa: como construir uma máquina de jogos retro.

Software

Há inúmeras opções de escolha para os emuladores, sejam eles de apenas um sistema ou vários. No entanto, recomendamos que instalem apenas o Retroarch (https://www.retroarch.com/?page=platforms) uma vez que suporta quase todos os sistemas que já foram emulados, e é utilizável num sem número de máquinas e sistemas operativos, desde o Windows, Linux, Android, iOS, Raspberry Pi, ou mesmo em consolas como a PS3 ou a Nintendo Switch, desde que as tenham hackeadas (o que também não é legal…). No entanto, e para o que nos interessa na secção seguinte, o Retroarch está disponível para os sistemas que pretendemos usar.

Hardware

Falemos então das várias opções para montar a nossa máquina de jogos. Aquela que dará menos trabalho (e despesa) será, obviamente, um PC. Seja novo ou antigo, será com certeza mais que suficiente para correr a maioria dos jogos retro, sejam eles de consolas de 8 ou 16 bits, ou de máquinas de arcade, bastando instalar o Retroarch e jogando no teclado, apesar de ser recomendável ligar um comando ao PC, seja ele um comando USB genérico ou um comando da Xbox ou PS4 que por acaso tenham.

Outra hipótese será instalar o Retroarch numa máquina que esteja a correr o sistema operativo Android. Pode ser um telemóvel ou um tablet, casos no quais ficariam com uma máquina portátil, ou numa das muitas Tv Boxes disponíveis no mercado. Em qualquer um dos casos, será fundamental que usem um comando USB ou Bluetooth compatível com Android, algo bastante fácil de encontrar por menos de 10 euros em muitos sites da Internet.

Por último, um Raspberry Pi também dá conta do recado, mas com este último poderão ir para uma opção um pouco mais dispendiosa, mas espetacular: uma Picade (https://shop.pimoroni.com/products/picade) , com ecrã incluído, ou simplesmente a Picade Console (https://shop.pimoroni.com/products/picade-console) que terão de ligar a um ecrã. Nos sites indicados encontram diversos kits para montar a vossa própria máquina, o que poderá ser uma boa opção se sempre quiseram ter uma arcade em casa.

Retrobits é uma rubrica mensal que tenta recuperar parte da história dos videojogos. Desde grandes sucessos a joias escondidas, tentaremos deixar-vos neste espaço algumas sugestões de jogos perdidos no tempo.

Pedro Moreira é Reviewer no 8.5Bits | twitter @morenho27 | pedromoreira@8dot5bits.com

Jogador desde os tempos do Spectrum, aficionado a jogos de Luta, Condução e RPG. Estudou Línguas e Literaturas na Universidade Nova de Lisboa, e Línguas, Literaturas e Culturas na Universidade de Évora. É Professor de Português e Espanhol, e nos (poucos) tempos livres consegue, por vezes, ligar o PC.
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