Esta semana, a Bethesda aproveitou as 25 primaveras de Doom para (re)lançar a trilogia original para as três consolas, PS4, Xbox One e Nintendo Switch. Doom, o primeiro e original, foi o título responsável pelo sucesso de um dos géneros de videojogos mais populares de sempre: os jogos de tiros em primeira pessoa, First Person Shooters, ou simplesmente FPS.

Doom não foi o primeiro FPS, nem sequer foi o primeiro FPS da Id Software, agora parte da Bethesda, pois essa honra cabe a Wolfenstein 3d, lançado em 1992. Apesar de também ser, na altura, um jogo revolucionário, era algo simplista ao nível dos cenários e da variedade dos inimigos. Um ano mais tarde, em 1993, sai Doom, o jogo que pauta aquilo que todos os futuros FPS queriam ser. No entanto, a fasquia foi colocada tão elevada que durante anos e anos os jogadores de PC apenas queriam saber se determinado jogo “tipo Doom” era “melhor que o Doom”. Normalmente, nunca eram, e só um tal de Half-Life, já no final de 1998, viria verdadeiramente a destronar Doom como rei dos FPS, pois mesmo os outros FPS da Id Software, como Heretic ou Quake, sendo de qualidade, não tinham o carisma e a magia de Doom.

Em 1994, Doom 2 mostrou que só outro Doom seria tão bom como Doom. Na verdade, Doom 2 era pouco mais que uma expansão do primeiro jogo, pois usava o mesmo motor de jogo e acrescentava uma arma nova, alguns inimigos e trinta níveis, nada mais, o que já não era pouco, dada a quantidade de horas que este conteúdo levava a ser explorado.

Como se isso não fosse suficiente, Doom foi um dos primeiros jogos a incluir um editor de níveis idêntico ao que os programadores usaram para fazer o jogo, o que abriu as portas à criação de conteúdos pela vastíssima comunidade de jogadores. Numa era em que a Internet dava os primeiros passos na direção à massificação, proliferaram níveis novos de qualidade, de tal forma que a Id Software chegou a lançar novas expansões com esse conteúdo.

Doom 3 só chega em 2004, dez anos depois de Doom 2, numa das mais longas esperas por uma sequela no mundo dos videojogos. Obviamente, a diferença entre este terceiro título e os dois primeiros é abismal, tanto ao nível gráfico e sonoro como ao nível da jogabilidade, pois em dez anos o panorama dos videojogos já se tinha alterado radicalmente. É em Doom 3 que de baseia o filme “Doom”, de 2005, com Dwayne “The Rock” Johnson que, sem ser nenhuma obra de arte, capta bem a atmosfera que o jogo pretende recriar.

Retrobits é uma rúbrica mensal que tenta recuperar parte da história dos videojogos. Desde grandes sucessos a joias escondidas, tentaremos deixar-vos neste espaço algumas sugestões de jogos perdidos no tempo.

Pedro Moreira é Reviewer no 8.5Bits | twitter @morenho27 | pedromoreira@8dot5bits.com