Videojogos

Retrobits – Half-Life 2

Este mês recordamos um dos mais influentes FPS até hoje: Half-life 2. Custa a crer que  fez catorze anos no passado dia 16 de novembro, especialmente porque se olharmos para a City 17 e toda a sua área envolvente, achamos que estamos perante um jogo muito mais atual, visto que a sua qualidade gráfica e sonora é, mesmo pelos padrões de hoje, bastante aceitável, mas em 2004, roçava a perfeição. O motor Source, que mandava nos gráficos e física do jogo, ainda hoje é usado num dos FPS mais populares do mundo dos e-sports, Counter-Strike: Global Offensive, e antes deste foi usado em Left 4 Dead, Team Fortress 2 e Portal, o que atesta a sua qualidade.

Half-Life 2 foi revolucionário em diversos aspetos. Em primeiro lugar, marcou o lançamento do Steam. Na altura estávamos habituados a comprar tudo em formato físico, e era bastante irritante ter que ter sempre o PC ligado à internet para jogar a um jogo para um só jogador, e mais irritante ainda ter que descarregar atualizações com as velocidades que tínhamos na altura, pois uma linha ADSL de 512kbps com 2gb de limite de tráfego mensal não dava para grandes aventuras. Mesmo assim, podemos constatar que o Steam não só sobreviveu a um lançamento algo atribulado e contestado, como é, no presente, uma das grandes bases de todo o gamer em PC.

Quanto ao jogo em si, a sua maior revolução foi a inclusão de física na jogabilidade. Se isto é algo banal no presente, é também algo que devemos à Valve e ao motor Source. Ações como deitar uma lata no lixo, disparar sobre um barril e vê-lo rodopiar, atirar objetos aos inimigos com a gravity gun, foram algo que nos deixou de queixo caído em 2004. Como se não bastasse, a física era incluída como parte integrante da jogabilidade, como algo necessário para avançar na campanha, que era longa e nos dava a sensação de estarmos dentro de algo semelhante a um filme, mas melhor: tinha a sua linguagem própria, a sua forma de interagir connosco, uma maneira peculiar de nos fazer crer que aquele mundo distópico era real e que Gordon Freeman também. Quando, ao fim de muitas horas, terminávamos a campanha, ficávamos com um sabor agridoce na boca: se, por um lado, a experiência inesquecível, por outro ficávamos com imensa pena de já ter terminado, e mais ainda por acabar num cliffhanger revoltante. Felizmente, Half-Life 2 não ficou por aqui. Dois anos depois, em 2006, saiu o primeiro episódio daquela que seria uma série de continuações para a história de Half-Life.

E, um ano mais tarde, fomos agraciados com o segundo episódio. Mas também o último.

Foi também nesta altura que a Valve decidiu lançar The Orange Box, uma coletânea de jogos feitos com recurso ao motor Source, para PC, PS3 e Xbox 360, que continha Half-Life 2, os dois episódios, Team Fortress 2 e Portal. Ou seja, estamos à onze anos à espera do infame Half-Life 3, que já foi alvo de demasiadas piadas e memes que frequentemente terminam com um “Half-Life 3 confirmed” a propósito de uma qualquer teoria da conspiração. Piadas à parte, o episódio 2 termina num cliffhanger ainda mais frustrante que o do título original, pelo que é compreensível a revolta dos fãs, que se arrasta há onze anos.

Se quiserem conhecer esta obra-prima dos videojogos, podem optar pelas versões de consola, PS3 ou Xbox 360, sendo esta última retrocompatível com a Xbox One, ou a versão de PC, sendo que esta última, se a apanharem numa promoção do Steam, pode custar algo como um euro.

Retrobits é uma rúbrica mensal que tenta recuperar parte da história dos videojogos. Desde grandes sucessos a joias escondidas, tentaremos deixar-vos neste espaço algumas sugestões de jogos perdidos no tempo.

Pedro Moreira é Reviewer no 8.5Bits | twitter @morenho27 | pedromoreira@8dot5bits.com

 

Jogador desde os tempos do Spectrum, aficionado a jogos de Luta, Condução e RPG. Estudou Línguas e Literaturas na Universidade Nova de Lisboa, e Línguas, Literaturas e Culturas na Universidade de Évora. É Professor de Português e Espanhol, e nos (poucos) tempos livres consegue, por vezes, ligar o PC.
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