Videojogos

Retrobits – Street Fighter II

Em fevereiro de 1991, faz agora vinte e oito anos, a Capcom lança aquele que foi um dos mais rentáveis videojogos de todos os tempos, não em termos absolutos deste Street Fighter II em particular, mas de toda uma série que se mantém bem viva na atualidade. Street Fighter II foi o primeiro grande videojogo do género de luta de um contra um, pois o primeiro Street Fighter, de 1987, era pouco mais que uma pequena curiosidade de jogabilidade e qualidade duvidosas.

Não havia salão de jogos que se prezasse que, nos anos noventa, não tivesse pelo menos uma máquina com Street Fighter II. Para um jogo do início da década de 90, surpreendia pelo grafismo, a qualidade das músicas, as vozes das personagens e, acima de tudo, pela jogabilidade fluida e que redefiniu por completo os esquemas de controlos nos jogos de luta, que são, basicamente, os que se usam ainda hoje em qualquer título deste género. Para além das versões das arcadas, Street Fighter II foi um dos principais responsáveis pelo sucesso da velhinha Super Nintendo, pois foi um exclusivo temporário da consola durante um ano, antes de aterrar na Megadrive da Sega, tempo mais que suficiente para vender alguns milhões de consolas em todo o mundo só à conta deste exclusivo.

Para terem uma noção do sucesso de Street Fighter II, foi o mais caro de sempre do catálogo da Megadrive: dezoito mil escudos, ou seja, noventa euros. Mas falamos de noventa euros à quase trinta anos, ou seja, o seu valor real agora seria facilmente o dobro. Mesmo assim, era este o jogo que todos queriam comprar. Não é por isso de estranhar que este seja, provavelmente, o jogo que mais versões teve até hoje: Street Fighter II – The World Warrior, que é o original, seguido de Champion Edition, Turbo, Super Street Fighter II, Super Street Fighter II Turbo, entre tantos outros… A última versão deste jogo é, inacreditavelmente, de 2017, para a Nintendo Switch, vinte e seis anos depois do original: Ultra Street Fighter II – The Final Challengers.

Como dissemos no início, Street Fighter II foi jogo que iniciou uma franquia de sucesso,  mas não foi o único título da saga, mesmo com as suas infindáveis versões: já tivemos três Street Fighter Alpha, do tempo das consolas de 32 bits, sendo que o terceiro foi, sem sombra de dúvida, o que mais sucesso teve, quer comercialmente quer ao nível da crítica, tendo também recebido uma série de diferentes versões. Street Fighter Alpha 3 Max, para a PSP, foi a versão definitiva deste jogo, e ainda hoje é recomendável. No entanto, a Capcom decidiu aqui começar a exagerar no poder dos bosses finais, tradição que mantém nos seus jogos de luta…

Ainda houve mais uma série de crossovers entre Street Fighter e, por exemplo, X-Men, Marvel Superheroes e Tekken.  Tivemos um Street Fighter III, um Street Fighter IV e, atualmente, o jogo de luta por excelência do mundo dos e-sports é Street Fighter V, que continua a ser atualizado regularmente com novos lutadores. Fora do mundo dos videojogos, houve filmes de animação, sobre Street Fighter II e Street Fighter Alpha, e até mesmo filmes em imagem real: Street Fighter, com Jean Claude Van-Damme, também dos anos 90, e Street Fighter Legend of Chun Li, muito mais recente, mas ambos de qualidade muito duvidosa. Mas se quiserem uma minissérie neste mundo, uma olhada a Street Fighter Assassin’s Fist, produzido pela Machinima, não será uma perda de tempo.

Retrobits é uma rúbrica mensal que tenta recuperar parte da história dos videojogos. Desde grandes sucessos a joias escondidas, tentaremos deixar-vos neste espaço algumas sugestões de jogos perdidos no tempo.

Pedro Moreira é Reviewer no 8.5Bits | twitter @morenho27 | pedromoreira@8dot5bits.com

Jogador desde os tempos do Spectrum, aficionado a jogos de Luta, Condução e RPG. Estudou Línguas e Literaturas na Universidade Nova de Lisboa, e Línguas, Literaturas e Culturas na Universidade de Évora. É Professor de Português e Espanhol, e nos (poucos) tempos livres consegue, por vezes, ligar o PC.
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