A saga Ultima será, muito provavelmente, desconhecida da maioria do grande público atual, mas conhecida dos jogadores de PC dos anos 80 e 90. O Ultima original é de 1981, pelo que não será de admirar que esteja perdido na memória de muitos. O primeiro Ultima mais conhecido do grande público foi Ultima IV: Quest of the Avatar, de 1985, não por ser um jogo de computador, mas por ser um dos primeiros RPG de computador perfeitamente adaptado para as consolas, neste caso as 8 bits de Nintendo e Sega, NES e Master System, mas apenas em 1990. Logo na época, o jogo recebeu críticas extremamente positivas pela profundidade da história, longevidade quase inacreditável, e sistema de combate. Para os possuidores de consolas esta era uma experiência nova, pois estavam perante um jogo que, verdadeiramente, os embrenhava num novo mundo que tinham a liberdade de explorar a seu bel-prazer, sem linearidade, e também sem mais ajuda que a que vinha no manual físico do cartucho. Muitos optavam por manter um bloco de notas com o que iam descobrindo, pois seria impossível recordar tudo o que acontecia no jogo, até que conseguissem começar a progredir e a descobrir que tinham afinal que fazer…

Ultima VII: The Black Gate é considerado o pai de jogos como The Witcher 3 ou The Elder Scrolls V: Skyrim, o que é dizer muito. O mundo aberto, a possibilidade de poder interagir com quase todos os objetos no mundo, as opções de diálogo infindáveis mesmo com o mais inócuo NPC, a história não-linear de intrigas e mentiras, a exploração do enorme mapa e das inúmeras masmorras que o povoam, tudo eram elementos inovadores em 1992, quando Ultima VII foi lançado, mas continuam a ser atuais. Ultima VII teve também uma versão na SNES, mas esta era uma versão pouco fiel à original, contrariamente ao que aconteceu com Ultima IV e a sua melhor versão, a da Master System.

Ultima VII: The Black Gate teve tanto sucesso que teve direito a uma sequela, Ultima VII part 2: Serpent Isle, que usava o mesmo motor de jogo da primeira entrega. Por um lado, captou a atenção por se passar numa nova terra, longe de Britannia, cujo mapa já era sobejamente conhecido dos veteranos de Ultima; por outro, o mapa era mais pequeno e não permitia uma exploração tão livre e aparentemente em mundo aberto como os jogos anteriores.

Tanto The Black Gate como Serpent Isle tiveram direito a expansões, The Forge of Virtue e The Silver Seed, respetivamente. Não acrescentavam nada à história principal, mas providenciavam equipamento muito poderoso e alguns detalhes interessantes sobre as personagens.  Depois disso, a série Ultima entrou em declínio, não porque os novos jogos não fossem bons, mas especialmente porque a fasquia estava tão alta que não houve grande sucesso de Ultima VIII: Pagan, uma espécie de dungeon-crawler, e Ultima IX: Ascension, o primeiro Ultima em ambiente tridimensional.

Shoud of the Avatar será o que temos de mais parecido com um eventual Ultima X, que não existe por motivos de direitos de publicação, uma vez que Ultima não pertence mais a Richard Garriot, o famoso Lord British, rei de Brittania, em todos os jogos da saga, mas pertence sim à Electronic Arts. No entanto, Garriot decidiu fazer mais uma versão moderna de Ultima, mudando-lhe apenas o nome, mas referenciando o Avatar, a nossa personagem ao longo da saga. O jogo era pago, mas agora é free-to-play, pelo que não há grande desculpa para não o experimentar.

Se ficaram curiosos, todos os Ultima estão disponíveis no GOG, sendo que o Ultima IV é completamente gratuito, como podem ver em https://www.gog.com/game/ultima_4 . Se procuram uma experiência semelhante, mas mais atual, Shroud of the Avatar deve ser a vossa aposta, disponível gratuitamente no Steam em https://store.steampowered.com/app/326160/Shroud_of_the_Avatar_Forsaken_Virtues/

 

Retrobits é uma rúbrica mensal que tenta recuperar parte da história dos videojogos. Desde grandes sucessos a joias escondidas, tentaremos deixar-vos neste espaço algumas sugestões de jogos perdidos no tempo.

Pedro Moreira é Reviewer no 8.5Bits | twitter @morenho27 | pedromoreira@8dot5bits.com