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Review de “Green Book – Um Guia Para a Vida”

Em 1962, Tony “Tony Lip” Vallelonga, um rígido segurança, do Bronx, recebe a mais promissora oferta de trabalho, ser motorista do clássico pianista afro-americano, Dr. Don Shirley, para uma impensável tour de concertos pelos estados mais a sul, dos Estados Unidos da América, e o resto, deu origem a esta inspirada história verídica.

No próximo dia 24, a estreia nacional da semana é, Green Book – Um Guia Para a Vida, um filme biográfico e de comédia dramática, realizado por Peter Farrelly, sobre um italo-americano da classe trabalhadora americana, um relações públicas na sua área, que se vê tornar no motorista de um reconhecido músico negro, numa viagem local aos confins profundos, de uma sulista América, nos anos 60.

Um filme, como não verá outro nos próximos tempos, pois já raramente são os filmes que se fazem, que tenham tão bom ar como este, transborda de boas performances, uma escrita sólida e imensa, e uma boa dose de humor, que nos leva pelas rotas americanas, como se fossemos um passageiro naquele carro, é um filme de mestre, com toda a importância atual devida, mas que não deixa de ser apenas isso, é um filme de uma amizade inspiradora, sobre superar o ódio, e aceitar o outro, de deixar o lar e a família, e embarcar numa aventura, com um guia de como viajar na segregada parte sul, e de um erudita pianista, com os seus problemas, e do prático segurança italiano, sem modos e educação, que ambos se juntam, como uma perfeita simbiose, pelas injustiças ao longo da estrada, enfrentando tudo e todos, juntos e unidos, e que nela regressa uma amizade, e sobretudo, um entendimento que mudou ambas as suas vidas.

Com os atores, Viggo Mortensen e Mahershala Ali, nos principais papéis, e ainda a atriz Linda Cardellini, o par principal é arrasador, ao nível de elevar e representar uma pessoa da vida real, os maneirismos e diálogos que ambos os dois trocam, são de uma genuinidade gigante, realisticamente expressionista e despertador, não sendo um típico filme de estrada, consegue ser divertido e inteligente, entretenimento puro, sempre com o olhar pelo racismo que habitou aquela era, é uma história maravilhosa, da amizade mais ténue e verdadeira, da rejeição à aceitação, o poder do cinema na sua melhor expressão, onde ambos os atores submetem os espetadores ao mais ínfimo detalhe, são representações de pura classe, do melhor que vi nos últimos tempos, realmente fazem o personagem, em todas as nuances são enormes, e com uma interação fora do normal, do comum que entusiasma quem os vê, num filme de abrir o coração, com um dos finais mais perfeitos da história recente do cinema, onde o filme começa e acaba, de onde corre uma imensa gratidão por o ter assistido, e caminha para o que deve ser o mundo, mas não o que realmente ainda encontramos nele.

Puro ouro, o filme do ano, ou apenas um filme de boa música e carros, quando o vir tire as suas próprias impressões, mas que o filme é inteligente, completo, e sobretudo divertido, lá isso é, uma grande vitória para a sétima arte, esta trama já aclamada é a apótese do ano fílmico, uma película virtuosa, que nos enche de esperança, e nos faz passar um ótimo tempo, é o filme perfeito para levar a família ao cinema, na descontração de uma viagem de carro, vai ficar enriquecido por ter parado para o ver, sem ação crescente e desmesurada, apenas excelência cativante até ao fim, numa ideia de amor e risos, ao drama profundo da consciência, do pouco educado racista, ao negro mestre na sua arte, a imagem de ambos travarem uma amizade é o que mais emociona, e o que mais o vai emocionar a si, e tal o vai ser, que o vai recomendar a muitos, cenas de grande compaixão e emoção, como a das escrita de uma carta, do magnetismo dos dois personagens, que se travam de personalidades, mas que conseguem se induzir a si mesmos, na amizade, um verdadeiro filme para o espetador.

Sabendo de, que provavelmente todos os negros, que fossem viajar, principalmente ao sul, acabavam espancados ou mortos, ainda dá mais poder ao filme, na personagem do guia que recomendava onde ficarem, para evitarem problemas, e onde duas pessoas cheias de dilemas morais, de paradigmas e preconceitos, onde ambos abraçam a mudança, e o comportamento ao longo do filme é visível, na conquista da veracidade, na partilha de uma mensagem, num filme que coloca o dedo na ferida, mas que ainda consegue, mostrar beleza na imagem e paisagens que o filme acaba por encontrar, é o filme de companheiros desconhecidos, que se tornam em amigos.

Um filme de ideais, mas que ainda explora todos os problemas à sua volta, do passado e atuais, e por isso, é capaz de ser o grande filme que esperávamos, e que o deve fazer pensar, refletir e sentir, no caminho da mediocridade, pavimentado pelo talento da raça, e das boas intenções, num filme de julgamento sobre a cultura, e o que nelas provém, sem ser snobe ou pouco social, explora temas que convém refletir e olhar atualmente, e que à partida não nos interessam, ou parecem escondidos, ou permanecem em segredo, mas que se revelam como fundamentais, e fundamentáveis, mas que não se confundem com a ironia destas mesmas vidas.

Consensualmente falando, o filme eleva o seu público numa surpreendente viagem calma e relaxante, potencialmente turbulenta ao longo do caminho, à partida, alimentado pelo toque de dois homens e das suas histórias, confrontando racismo e diferenças, numa jornada de uma vida, num filme gentil, com muito detalhe de contador de histórias, numa única forma de ver o mundo, explorando uma das facetas mais discutíveis, a da cor, e é por isso que o filme brilha, porque consegue criticar, mas mesmo assim, criar dela uma história curiosa e diferenciada, que todos devem assistir.

Em 2019, se ouvíssemos a história de um desempregado trabalhador de discoteca, a aceitar qualquer trabalho, mesmo com um temperamento difícil, teríamos de ver este filme, é como o realizar de um sonho utópico, só encanta e dá mais valor ao que se pretende dele, e por isso é que irá triunfar, mesmo sendo um filme de italianos sem modos a comerem, com um negro homossexual músico, é de valorar o trabalho e dedicação que este filme consegue passar em nós, e que em si irá, sem dúvida, fazer abrir horizontes para mais como esta.

Não perca, e vá ao cinema, dia 24, estreia, Green Book – Um Guia Para a Vida.

DATA DE ESTREIA: 24/01/2019

REALIZAÇÃO: Peter Farrelly

ARGUMENTO: Peter Farrelly, Nick Vallelonga, Brian Hayes Currie

ELENCO: Viggo Mortensen, Mahershala Ali, Linda Cardellini

GÉNERO: Biografia, Comédia, Drama

PAÍS: EUA

ANO: 2018

DURAÇÃO: 130 minutos

 

23 anos. A licenciar-me em Comunicação Social e Cultural. Um futuro Jornalista de Cinema.
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