Tarantino roubou completamente todos os holofotes em Cannes, mas Sibyl é o tipo de filme denso que passa entre os pingos da chuva e fica na retina de quem o vê.

 

A história de uma psicóloga (Virginie Éfira) que quebra todos os códigos de conduta profissionais e transforma a história de uma paciente que num livro. Um mundo que constrói um enredo que varia entre o drama excessivo e momentos de vergonha alheia bem definidos, construído por personagens que se debatem também eles com uma completa falta de ética pessoal muitas vezes.

 

 

 

 

 

Margot (Adèle Exarchopoulos) é a paciente grávida que tem um romance Igor (Gaspard Ulliel) ator do “filme” dentro do filme que contracena. Este romance nos bastidores torna-se complexo pois a realizadora Mika (Sandra Hüller) é a mulher de Igor. Num filme onde é impossível obter uma previsão de quem manipula quem, todos se entregam as acções com aparente bondade decidido no entanto sempre em prol dos benefícios próprios, sendo que no entanto, é essa manipulação psicológica entre os actores que torna o filme tão denso, encorpado e delicioso para quem aprecia algo mais complexo da sétima arte. Complexidade muitas vezes pode-se tornar o esconderijo para esconder os defeitos, contudo a complexidade do filme nunca chega a cair num abstracto podendo sempre perceber qual o caminho que se esta a percorrer ao longo do filme. Todas as cenas tem uma razão de ser, a iluminação está fantástica e os cenários falam por si só. Os diálogos comovem, e as cenas sexuais apesar de bastante explicitas acrescentam uma tensão positiva ao filme.

Não é um filme perfeito, o livro escrito por Sibyl acaba por cair num completo vazio na história sentindo-se que pouco acrescenta às acções do filme e esse é talvez a parte que mais desagrada no filme.

Justine Triet’s não criou um filme consensual mas certamente criou um filme com valor e mostrou que o cinema europeu esta de boa saúde e exibe uma complexidade em termos de argumento que começa a ser cada vez mais escasso no cinema de Hollywood.

REVER GERAL
Sibyl
Pedro Camacho
Licenciado em comunicação e jornalismo, divide-se entre tudo o que é cultura e desporto. De momento a tirar mestrado em ciências da comunicação, adora filmes dos anos 80 e 90 e tem como grande "fetiche" o cinema independente europeu e asiático