O golfe é um desporto que, sem grande margem para erro, podemos considerar de um nicho de mercado muito específico, muito longe de atrair multidões em todo o mundo como o futebol. Não é por isso de admirar que haja entregas periódicas das séries FIFA ou PES, mas que se vejam muito poucos jogos de golf. Alguns dos que houve, como a série PGA Tour da Electronic Arts, andaram longe de ser sucessos comerciais, em especial pela complexidade das mecânicas de jogo e ritmo demasiado lento. Já a série Everybody’s Golf, que com esta versão em Realidade Virtual vai para a oitava entrega, nasceu ainda nos tempos da primeira Playstation e distinguia-se da série da Electronic Arts por, ao invés dos gráficos e mecânicas realistas mas pouco apelativas de PGA Tour, optar por um estilo mais cartoonesco, ao estilo manga japonesa, e mecânicas arcade, a fazer lembrar o excelente Neo Turf Masters da velhinha Neo Geo que fazia as delícias de muitos nos antigos salões de jogos.

Salta logo à vista a localização perfeita em Português, o que é de agradecer. Depois de um curto tutorial, assim como de um aviso sobre o cuidado que devemos ter ao fazer o swing, para não corrermos o risco de partir algo dentro de casa, somos convidados a aceder ao modo de treino, onde poderemos tentar melhorar a nossa precisão, mas também a distância que conseguimos atingir com o driver. Durante o jogo podemos também treinar o swing do taco antes de bater na bola, para termos ideia da força e direção que a bola deve tomar para melhor se aproximar do green sem sair da fairway para ervas altas ou para um bunker. O controlo pode ser feito com recurso a um comando PS Move, mas o próprio Dualshock 4 funciona perfeitamente e com uma precisão que, a princípio, parece bastante satisfatória, mas logo nos apercebemos que não é bem assim…

Isto porque segurar num comando e agitá-lo para tacar não é o mesmo que ter um taco na mão. Falta-nos o peso, por exemplo, pelo que as nossas tacadas serão quase sempre pouco precisas, com força a mais, com efeitos de curvatura indesejados. No final de cada jogo, podemos consultar o painel classificativo, mas apenas com bastante treino e persistência conseguiremos acabar com tacadas abaixo do par, muito por culpa dos controlos.

Por vezes, a nossa simpática caddie vai-nos convidar para atividades diferentes, como explorar um cenário ou contemplar uma paisagem. Este é um elemento que nos surpreende no jogo, pois normalmente são atividades que surgem de surpresa, mas sempre com o intuito de nos ajudar a relaxar. Seja durante o treino, durante os buracos, ou nestas ocasiões, o mundo colorido e calmo de Everybody’s Golf VR convida, acima de tudo, a descansar, a transmitir-nos paz e sossego enquanto fazemos atividades ao ar livre. É, na verdade, uma lufada de ar fresco ver um jogo que nos afasta de atividades stressantes, como qualquer shooter competitivo, e nos põe a contemplar paisagens na companhia de uma guia virtual.

Estão presentes todos os obstáculos típicos do golf, como as ervas altas, bunkers de areia, e lagos, como já dissemos. O facto de se jogar em Realidade Virtual ajuda também à jogabilidade, pois é o que nos permite ter noção das distâncias até aos obstáculos e, já no green, a distância até ao buraco. Não que isso seja grande ajuda quando o que mais nos atrapalha é o controlo da tacada, mas ajuda à imersão.

Tal como no golf real, há buracos de par 3, 4 ou 5. Há medida que jogamos vamos subindo de nível e desbloqueando novos modos de jogo, com mais do que os 3 buracos iniciais por ronda, novos circuitos, com 18 buracos cada, novos caddies, novos tacos… São elementos que nos incentivam a voltar a jogar e a explorar novas possibilidades, o que dá uma longevidade bastante boa a Everybody’s Golf VR. O preço é simpático (29,99€) e o jogo é muito, muito divertido. Se querem uma adição diferente para a vossa biblioteca de Realidade Virtual, ou se gostam de golf, estão perante uma boa escolha.

Pedro Moreira é Reviewer no 8.5Bits | pedromoreira@8dot5bits.com