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Muito Bom
Videojogos

Teste a ‘Hitman 2’

O número pode ser apenas o 2, mas a já longa saga Hitman, ao longo dos anos, ganhou o seu lugar dentro do género dos jogos de ação furtiva. Hitman 2 é a continuação direta do excelente Hitman do ano passado, de tal forma que poderão importar os níveis do primeiro jogo para o segundo, se o tiverem adquirido antes na mesma plataforma, seja PS4, Xbox One ou Steam. E, tal como esse primeiro jogo, podem adquiri-lo de várias maneiras: ou comprando o jogo completo, ou comprando individualmente cada um dos episódios que o compõem, numa lógica de apenas se comprar aquilo a que se joga, ou de se poder comprar um jogo às prestações. O que, diga-se de passagem, é um bom modelo de negócio: os jogadores sentem-se mais à vontade para investir, e a editora recebe o seu capital. O prólogo, tal como no jogo do ano passado, continua a ser gratuito, e funciona como uma espécie de demonstração do jogo, mas que guarda o nosso progresso depois de comprarmos o jogo original. Ou seja, se não o quiserem comprar já, podem experimentá-lo e ver se gostam.

Pois nós gostámos. E muito. Mas Hitman 2 não é um jogo para toda a gente: se pensam em entrar em salas cheias de gente aos tiros, ou se acham que vão enfrentar guardas de metralhadora em punho, esqueçam. Aqui não há mesmo a hipótese de nos armarmos em Rambos, pois qualquer deteção por parte dos muitos NPCs que povoam os cenários significa, quase sempre, uma morte rápida e sem hipótese de luta. Em Hitman 2 controlamos um assassino a soldo, que deve encontrar e assassinar os alvos com o menor alarido possível, de preferência sem ser visto por ninguém e sem deixar qualquer pista que o possa comprometer no momento da fuga. Cada um dos alvos encontra-se num cenário diferente que, sendo em regra pequeno, nos possibilita encontrar dezenas de formas diferentes de matar o nosso alvo. E é esta a genialidade por detrás de Hitman 2: seja com um tiro certeiro na cabeça, seja por envenenamento, seja com o garrote, ou seja ainda num “acidente”, é extremamente gratificante conseguirmos navegar pelo cenário, encontrar diferentes NPCs, roubar-lhes as roupas para nos disfarçarmos, procurar diferentes itens, que vão de gazuas a veneno para ratos, e engendrar um plano, sempre diferente, para abater a nossa vítima. Hitman 2 apela à nossa criatividade, à nossa capacidade de análise, ao nosso sangue frio, para chegarmos ao nosso objetivo, e fá-lo de forma que queremos repetir o mesmo cenário uma e outra vez só para tentarmos encontrar soluções diferentes e desbloquearmos as inúmeras proezas do jogo.

Hitman 2 é surpreendentemente enganador ao nível do conteúdo, mas no bom sentido: parece pequeno, com apenas meia dúzia de cenários de área limitada, mas a quantidade de vezes que vamos querer repetir cada um deles torna o jogo enorme, para nem falar dos diversos modos multijogador, dos quais destacamos o modo competitivo Ghost, no qual dois jogadores correm um contra o outro tentam ser o mais rápido eliminar uma série de alvos escolhidos aleatoriamente. Os Elusive Targets estão de volta, e são alvos que apenas aparecerão uma única vez no jogo, sendo que o primeiro aparece já na próxima semana. Nem todos os jogadores tentarão apanhá-los, e muitos menos ainda conseguirão, mas são estes pequenos eventos que nos fizeram querer voltar ao primeiro Hitman, e vão fazer o mesmo neste segundo jogo.

O argumento de Hitman 2 é interessante, e suficientemente bom para nos fazer crer que estamos dentro de um filme da saga de Bourne, mas apenas fará sentido para quem jogou ao primeiro jogo, pelo que é recomendável que o adquiram antes ou, melhor ainda, que comprem os níveis para jogar neste segundo título. Tecnicamente, estamos perante um jogo quase perfeito: as músicas são tensas, criando a atmosfera que se pretende, o trabalho vocal é excelente, mas o que se destaca mesmo é o grafismo, do melhor que já vimos até hoje, detalhado, realista, colorido, apoiado num motor gráfico fluido, mesmo em alturas que se juntam muitas personagens no ecrã.

Hitman 2 não pretende inovar nem revolucionar a indústria dos videojogos. Não é muito original, não introduz novas mecânicas, não tem momentos de nos deixar de boca aberta. Para dizer a verdade, é o mesmo jogo do ano passado, mas com episódios diferentes. Mas também não precisa. Hitman 2 é divertido, está bem feito, cumpre na perfeição aquilo a que se propõe. Não é isso que interessa?

Pedro Moreira é Reviewer no 8.5Bits | twitter @morenho27 | pedromoreira@8dot5bits.com

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Muito Bom

Hitman 2

O agente 47 está de volta e, sendo ele mesmo, está melhor que nunca. Hitman 2 representa o que de melhor se faz ao nível de dar aos jogadores a hipótese de escolherem o seu próprio caminho num jogo, ao ponto de querermos repetir uma e outra vez o mesmo cenário para podermos abordar todas as hipóteses de assassinar os nossos alvos, apelando à nossa criatividade.

Pros

  • Apela à nossa criatividade e capacidade de análise.
  • As múltiplas formas de abordar os desafios elevam a durabilidade.
  • Os diferentes modos multijogador.
  • Tem dos melhores gráficos que já vimos.

Cons

  • Não é apropriado para os menos pacientes.
Jogador desde os tempos do Spectrum, aficionado a jogos de Luta, Condução e RPG. Estudou Línguas e Literaturas na Universidade Nova de Lisboa, e Línguas, Literaturas e Culturas na Universidade de Évora. É Professor de Português e Espanhol, e nos (poucos) tempos livres consegue, por vezes, ligar o PC.
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