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Teste a ‘Immortal Legacy: The Jade Cipher’

Immortal Legacy: The Jade Cipher chega hoje à loja da Playstation, pelas mãos da VIVA Games, um pequeno estúdio chinês, em exclusivo para o PSVR.

Nota-se a paixão dos criadores pela cultura chinesa e por partilhar o folclore do seu povo com o mundo. Como provavelmente já sabem, o Ano Novo é um grande evento na China. Aquilo que poderão não conhecer são as histórias que estão por detrás do evento. Numa dessas histórias é dito que, há muito tempo, existia uma fera chamada Ksi” (夕). No final do ano, essa fera mostrava-se ao mundo, causando caos e destruição. Mas os Deuses transmitiram um segredo à humanidade, que permitia aos humanos defenderem-se a eles próprios desta temível criatura: a fera tinha medo da cor vermelha e de altos ruídos. Como consequência, na última noite de cada ano começaram a ser lançadas bombinhas e fogo de artifício, de forma a manter esta criatura longe por mais um ano. A história de Immortal Legacy: The Jade Cipher é inspirada nesta história, assim como noutras lendas chinesas. Nesta história de horror, Ksi” (夕) é um imperador que, tendo conquistado o espaço, deseja conquistar o tempo também. Ele tem como objetivo alcançar a imortalidade e está disposto a tudo para o conseguir – incluindo sacrificar o seu próprio povo.

Essa procura pela imortalidade é apenas uma das razões que vos levará à ilha de Yingzhou, localizada no fundo do misterioso Triângulo do Dragão, já que, neste título, os jogadores estarão a jogar na pele de Tyre, um ex soldado das forças especiais, que viaja até esta ilha também para descobrir a verdade por detrás da misteriosa morte da sua mãe. Mas descobrir de que forma é que esse acontecimento e o seu passado estão interligados com os segredos desta ilha não será fácil e, em vez de lutarem apenas contra um exército de mercenários enviado para a escavar, os jogadores também terão de enfrentar os horrores que involuntariamente eles libertaram. A proposta será então embarcar numa viagem rumo ao desconhecido e descobrir o segredo da imortalidade.

Não parece muito normal um título de realidade virtual ter uma história minimamente elaborada por detrás, nem tantos elementos que a contextualizem e que tentem causar uma sensação de imersão que escapa ao simples enganar dos sentidos da visão e audição. Immortal Legacy: The Jade Cipher é uma das honrosas excepções à regra, um jogo que se nota ter sido feito com paixão e não apenas com o intuito de chamar a atenção e vender muito, o que é de louvar, de tão raro que é nos dias que correm.

Tecnicamente, podemos afirmar que o trabalho de som é bom, em especial ao nível das vozes e dos efeitos sonoros. A música é pouco perceptível, na maioria das situações, mas ambienta perfeitamente algo que começa como um jogo de tiros que nos põe contra mercenários, como num qualquer Call of Duty, mas que termina contra monstros saídos de um filme de terror, ou de Doom. Quanto ao grafismo, e como já vem sendo hábito nos jogos do PSVR, não podemos criticar a equipa responsável pelo jogo, as limitações técnicas da PS4, que já vão sendo muitas, não permitem um grafismo detalhado e rico. Na maioria dos casos, os cenários são inevitavelmente pequenos ou pouco detalhados, mas mesmo assim somos confrontados com alguns momentos de assombro pela beleza do que contemplamos, apesar das limitações, como numa das sequências iniciais em que caminhamos ao longo de um penhasco. Isto diz muito do excelente trabalho dos programadores, numa máquina com os limites da consola da Sony.

Os controlos, por seu lado, deixam-nos um sentimento misto. Se, por um lado, o uso obrigatório de dois comandos Move é bastante apelativo para um jogo de tiros, por outro o facto de mal nos conseguirmos mexer é pouco gratificante para a experiência. Não faz grande sentido estarmos parados ao tiro com tudo o que mexe sem nos preocuparmos em procurar abrigo, um pouco como os heróis dos filmes de ação dos anos 80, em que a pontaria dos adversários era sempre tão má que nunca atingia o herói. Mas a pior ideia que os programadores tiveram foi a de recarregar a arma agitando o comando, que simplesmente não funciona quatro em cada cinco vezes que queremos recarregar. Também tivemos alguns problemas na deteção de colisão, quer ao nível de tiros que passavam através dos adversários sem lhes acertar, quer ao nível de baterem em obstáculos invisíveis. Por último, e mais grave, foi o facto de termos experienciado um crash da consola a meio da ação, algo inadmissível num jogo que passa de beta para versão final. Esperemos que, brevemente, haja atualizações a corrigir estes aspetos.

Passando a algo mais positivo, o desenho dos mapas e níveis é outro dos pontos fortes deste jogo. A ação é lenta, por consequência direta dos controlos que usamos, mas enquanto jogamos recordamo-nos de alguns dos FPS que jogámos, não dos de ação frenética, mas sim dos com elementos narrativos fortes, com cenários e sequências que não estão lá para encher, mas para nos envolver. Half-Life 2 é o melhor exemplo que se nos ocorre, mas a série Metro também nos vem à memória. A longevidade da campanha é também muito satisfatória, durando pouco mais de meia dúzia de horas, o que é bastante bom para um jogo cujo preço, outro dos seus pontos fortes, é de uns módicos 19,99€. Immortal Legacy: The Jade Cipher está disponível desde hoje em https://store.playstation.com/pt-pt/product/EP9000-CUSA09438_00-KILLX00000000000, e recomenda-se a todos os que gostem de um bom FPS que mistura ambiente de terror e uma história apelativa.

Pedro Moreira é Reviewer no 8.5Bits | twitter @morenho27 | pedromoreira@8dot5bits.com

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Muito Bom

Immortal Legacy: The Jade Cipher

Um FPS em realidade virtual muito recomendável, com uma narrativa interessante e um trabalho técnico bastante competente. Peca pelos controlos pouco intuitivos e pela deteção de colisão imperfeita, mas não deixa de ser um dos melhores FPS disponíveis no catálogo do PSVR.

Pros

  • O ambiente criado pelos cenários é convincente.
  • O trabalho de voz das personagens.
  • O desenho dos níveis, em que nada é deixado ao acaso.
  • O preço.
  • Apontar e disparar com o PS Move.

Cons

  • Tentar mover a nossa personagem com o PS Move.
Jogador desde os tempos do Spectrum, aficionado a jogos de Luta, Condução e RPG. Estudou Línguas e Literaturas na Universidade Nova de Lisboa, e Línguas, Literaturas e Culturas na Universidade de Évora. É Professor de Português e Espanhol, e nos (poucos) tempos livres consegue, por vezes, ligar o PC.
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