Need for Speed Heat é o mais novo título de uma das mais longas franquias da Electronic Arts, apenas superada em número de títulos pelos jogos de desporto da EA, como o inevitável FIFA. Todos os anos, antes do Natal, tínhamos um novo Need for Speed para jogar, mas no ano passado tal não aconteceu, desconfiamos, por causa da má receção ao francamente mau Need for Speed Payback, que pouco mais era que uma versão jogável, na melhor das hipóteses medíocre, de um qualquer Velocidade Furiosa. Como se isso não fosse o suficiente, contaminado pela ganância da venda de DLCs e mais DLCs.

Este ano, felizmente, alguém na EA decidiu que o novo Need for Speed deveria retomar as ideias daquele que foi o principal responsável pelo sucesso da série: Need for Speed Underground, de 2003, no seu ambiente noturno de corridas ilegais, tuning, e neons, muito à imagem do que se via no grande ecrã com os primeiros dois filmes da saga Velocidade Furiosa. E, já agora, um pouco de Need for Speed Prostreet, com corridas legais em pistas fechadas, durante o dia, poderá ser apelativo para quem gosta mais de simulação e menos de jogos de corridas arcade. E, desta fusão, nasce Need for Speed Heat: durante o dia, corremos em circuitos, ganhamos dinheiro, de forma legal e sem perseguições policiais; durante a noite, para ganhar reputação, embrenhamo-nos no submundo do tuning, apostas ilegais, violações constantes ao código da estrada e carros da polícia mais rápidos que nós e mais persistentes que em qualquer Grand Theft Auto.

A história do jogo, ao contrário do argumento hollywoodesco, mas no mau sentido, do famigerado Payback, é simples e convincente. As interações com outras personagens também são simples e pouco intrusivas na ação, o que é bom. Por outro lado, a evolução no jogo é feita à semelhança do que acontecia no já mencionado Underground, lenta, sem pressas, mas com uma cadência constante, à medida que desbloqueamos novos eventos, novos carros e, como não podia deixar de ser, novas peças para melhorarmos o desempenho e o aspeto dos carros que temos. Movemo-nos livremente por um mundo aberto, como vem sendo apanágio da série desde Need for Speed Underground 2, na cidade de Palm City, que não é mais que uma reinterpretação de Miami, e que serve perfeitamente para levar os mais nostálgicos a achar que estão num episódio de Miami Vice… ou a jogar outra vez Grand Theft Auto: Vice City.

Quanto ao departamento técnico, começando pela sonoplastia, apenas se pode constatar que o trabalho de som é muito bom, quer ao nível de efeitos sonoros, quer das vozes das personagens, quer da banda sonora escolhida. Quanto aos gráficos, que eram a única coisa que se aproveitava em Need for Speed Payback, temos a mesma qualidade, com cores vibrantes durante a noite, com neons encandeantes e luzes soberbamente retratadas, e um quase fotorrealismo durante o dia, rivalizando com simuladores de condução como Gran Turismo Sport ou um Forza Motorsport 7.

De resto, é apenas no grafismo e nos modelos dos carros que se pode encontrar algum realismo em Need for Speed Payback. Este é um jogo de condução arcade, não é um simulador. Para alguns, esse é um obstáculo, pois procuram abordagens mais técnicas a uma curva num circuito ou a uma ultrapassagem; para outros, nada bate a diversão de ir a duzentos à hora, puxar o travão de mão, e fazer na perfeição uma curva de noventa graus. São opiniões, mas acreditem que Need for Speed Heat é, acima de tudo, um jogo divertido. Que, aparentemente, não tem (ainda) DLCs de preço exagerado sem qualquer conteúdo relevante ou, pior ainda, conteúdo que devia estar incluído no jogo em si, como infelizmente é prática recorrente da EA. Assim,  aliando a diversão proporcionada, as diferentes e diversas atividades que se podem praticar no jogo, a qualidade sonora e gráfica da experiencia, a longevidade acima da média, não podemos deixar de recomendar Need for Speed Heat como uma possível prenda no sapatinho de todos aqueles que não procurem num jogo de condução apenas e exclusivamente uma simulação de condução realista, mas sim uma experiência divertida sem muita preocupação em respeitar as leis da física.

Pedro Moreira é Reviewer no 8.5Bits | twitter @morenho27 | pedromoreira@8dot5bits.com

REVER GERAL
Need for Speed Heat
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Jogador desde os tempos do Spectrum, aficionado a jogos de Luta, Condução e RPG. Estudou Línguas e Literaturas na Universidade Nova de Lisboa, e Línguas, Literaturas e Culturas na Universidade de Évora. É Professor de Português e Espanhol, e nos (poucos) tempos livres consegue, por vezes, ligar o PC.